| Trabalhos manuais
Eu juro que já tentei.
Minha vó bem sabe disso, pois anos a fio (literalmente) ela se esforçou
para me ensinar. Ela, exímia crocheteira, até hoje não
se conforma que sua neta mais velha jamais tenha conseguido ir além
de uma simples correntinha. É que eu nunca me entendi com aquela
coisa de ponto alto e ponto baixo, os meus eram todos pontos-nós.
Ou pontos que se auto-desfaziam em cinco segundos.
E não foi só
crochê que eu tentei não. Já tive experiências
traumatizantes com aquelas duas agulhas de tricô também. Aquilo
é um perigo, em mãos pouco hábeis como as minhas transformam-se
em armas perigosíssimas, são um atentado à integridade
física de qualquer um. E com o tricô foi pior ainda, nem a
tal correntinha eu consegui fazer.
Hoje fui à casa de
uma amiga que está se recuperando de uma pneumonia e tem aproveitado
o repouso para bordar. Bordou cavalos-marinhos lindos numa toalha. Não
é demais? E ela ainda pode dizer com orgulho: fui eu que fiz, coisa
que eu jamais direi sobre um bordado, um biquinho de crochê ou um
simples cachecol de tricô.
Eu não tenho mesmo
a menor habilidade manual, e confesso que invejo essas pessoas que conseguem
executar essas tarefas que para mim são mais complicadas que colocar
um foguete em órbita. Afinal, para lançar o foguete você
só precisa apertar alguns botões, não tem nada de
dar uma voltinha com a linha por trás da agulha, enfiar no buraquinho
e puxar.
E o curioso é que
quem consegue fazer qualquer uma dessas coisas, acaba fazendo todas. Nunca
alguém faz só crochê, faz também bordado ou
tricô, pintura em porcelana e por aí vai. E quem, como eu,
não consegue ir adiante com um só deles não adianta
nem tentar porque não vai conseguir fazer nada mesmo.
Acabo sempre me perguntando
se isso é mesmo uma debilidade minha ou apenas falta de perseverança.
Talvez todo mundo tenha alguma dificuldade no começo, é só
insistir que acaba conseguindo. Mas quando eu olho para o resultado do
meu trabalho não tenho como não desanimar.
Daí eu tento consolar
a mim mesma dizendo que mulheres modernas não ligam para trabalhos
manuais, que essa coisa de costurar e tricotar é coisa de mulher
que não se emancipou, mas o tiro sai pela culatra. Nos anos 60 até
podia ser assim, mas hoje, moderna mesmo, é a mulher que trabalha
fora e borda nas horas vagas (no bom sentido).
Acho que foi pensando nisso,
e no lado prático da vida, que minha mãe tentou me ensinar
a costurar. Essas coisinhas simples, um remendinho, uma barra de calça.
Tudo em vão, sempre achei mais fácil e mais eficiente pedir
para uma de minhas avós fazer isso por mim.
Mas como eu gosto de grandes
desafios na vida, outro dia mostrei a ela toda orgulhosa o primeiro botão
que eu consegui pregar na vida. E olha que ele está lá, firme,
já faz mais de mês!
.... |