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São Caetano x Barcelona

Não me lembro dessas listras laterais vermelhas no uniforme do São Caetano no ano passado. Talvez seja apenas uma falha da minha memória, mas eu fico pensando que deve ter sido intencional mesmo, para ficar parecido com o Barcelona. O que não deixa de ser uma certa audácia. Só que, se realmente a vontade do Azulão é se igualar ao Barça, essa história pode ir mais longe e ser mais séria do que se supõe. 

Mais do que ser um dos melhores times do mundo, o Barcelona é o orgulho nacional dos catalães. E todo mundo sabe que a Catalunha se não é um país autônomo, é um território independente dentro da Espanha. 

Pois se o São Caetano aspira ser o Barcelona, há que se considerar a hipótese de o ABC paulista começar a desenvolver sua vocação catalã. Na realidade, o time do São Caetano pode fazer parte de uma estratégia separatista da região que começaria a provar sua força também no futebol. 

Aquela língua presa típica dos sindicalistas da região aos poucos iria se transformando em um dialeto próprio. Quem fosse para Santo André não entenderia a conversa das pessoas nas ruas e até os moradores de Diadema se recusariam a falar português. 

Os sindicatos assumiriam uma representatividade política ainda mais forte do que a que tiveram nos anos 70 e 80 e passariam a empunhar a bandeira do separatismo. Iniciariam uma onda de atentados contra membros do governo estadual paulista que não admitiria a idéia de perder o PIB da região. As montadoras se veriam envolvidas em um intrincado problema político mas teriam medo de sair da região e sofrer boicotes da população local. 

Os paulistanos que se atrevessem a ir a São Bernardo comer frango com polenta no De Marchi seriam mal servidos pelos garçons que passariam a detestar ter de atender a esse povinho brasileiro. Afinal, eles não seriam brasileiros e sim abecezistas. 

O próprio São Caetano, só por capricho, contrataria Zidane, o carrasco do Brasil na Copa de 98, na maior transação do futebol mundial em todos os tempos e consideraria o time a sua seleção. Abusando de seu poder financeiro, o time obrigaria a Nike a marcar um amistoso entre a seleção brasileira e o Azulão, no estádio Anacleto Campanella, em São Caetano. 

Elevado à condição de herói nacional, o técnico Jair Picerni escala seu time com força máxima e Zidane no comando. Acuado, Leão não vê alternativa a não ser chamar as estrelas estrangeiras e Romário. Com Roberto Carlos, Cafu, Antonio Carlos e Rivaldo a seleção não poderá perder. E o que é melhor, Ronaldo está totalmente recuperado da cirurgia no joelho. 

Torcedores de todo o ABC e de todo o Brasil lotam o estádio, que foi reformado e agora além de ser coberto, abriga 80 mil pessoas. Bandeiras verde-amarelas de um lado e azuis de outro. A torcida do São Caetano ao invés de gritar o nome do time, grita por independência. 

Momentos antes do jogo chega a notícia que Ronaldo teve um mal súbito no hotel. O resto a gente imagina.

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