| Aviso irrelevante
Minha amiga Roseli saiu na
frente e escreveu antes de mim sobre um assunto que há muito tempo
me atormenta, as tais plaquinhas que agora são afixadas na entrada
de todos os elevadores de São Paulo com o aviso: "Senhores Passageiros,
antes de entrar no elevador verifiquem se o mesmo encontra-se parado neste
andar."
Além do horror que
é esse estilo secretária de advogado - não seria muito
mais objetivo, simples e até bonito dizer "antes de entrar no elevador
verifiquem se ele está parado neste andar"? - há uma outra
questão que me intriga.
Acredito que o bom vereador
que fez com que a divulgação desse aviso se tornasse uma
lei tinha a nobre intenção de poupar vidas humanas que despencariam
poço abaixo caso passassem pela porta e o elevador não estivesse
no andar. Longe de mim pensar que esse dedicado edil tem um cunhado que
fabrica plaquinhas acrílicas.
Pois bem, para entrar num
buraco e não num elevador, o sujeito precisa ser um tanto distraído.
Caso contrário ele perceberia que não há luz, não
há chão, não há nada e não entraria,
é lógico. E você acha que alguém distraído
a esse ponto vai prestar atenção no tal do aviso?
Mas esse, apesar de muito
presente em nossas vidas, não é o único aviso inútil
que anda por aí. Meu pai jura que anos atrás tinha uma placa
no Trianon informando que era proibida a entrada de animais desacompanhados.
Fico só imaginando o vira-lata ali no portão, dando meia-volta
porque leu o cartaz e percebeu que não poderia entrar sozinho.
Outros avisos se tornam completamente
inúteis conforme o horário. Mais que isso, chegam a ser uma
afronta. É afrontado que você se sente quando passa pela pista
local da marginal às seis da tarde e se depara com a placa que lhe
avisa que ali a velocidade máxima que você pode andar é
de 70 km/h. Se você conseguisse chegar à metade disso certamente
beijaria o diretor do CET.
Aliás, eu acho que
a cidade está mesmo é com placas demais. São as placas
de trânsito, placas de lojas, placas de proibido fumar, entrar ou
vender bebidas alcoólicas a menores de dezoito anos. E não
são só elas, tem as faixas também: liquidações,
cachorros perdidos, declarações de amor e agradecimentos
a Santo Expedito.
Mas nada supera a poluição
visual promovida pelos publicitários. Esses caras pensam que o mundo
é um grande espaço para veiculação de seus
outdoors, banners e back-lights engraçadinhos. E reparou que, apesar
de tudo isso ser algum tipo de cartaz, tem que ter o nome em inglês?
Acho que é para ficar mais caro.
Daqui a pouco você
vai entrar no elevador e depois de enfrentar a malfadada plaquinha na porta,
vai dar de cara com publicidade lá dentro também. Ih, acho
que falei demais...
Sobre elevadores e suas
plaquinhas, leia também Verifique
o mesmo e Sobe e desce, da Roseli.
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