| Alô? Sr. Bush?
Guerra contra o terrorismo,
sr. Bush? Está muito bem. Quer dizer, então, que o senhor
vai mandar tropas para a Irlanda para combater o IRA? E vai mandar seus
homens à Espanha para acabar com o ETA? Como? Não é
bem assim? Por que não?
Ah, o senhor não quer
interferir nos problemas internos da Grã-Bretanha e da Espanha?
Sei. Ah, não foram eles que atacaram os Estados Unidos? Tá,
cadê as provas? Mas prova mesmo, não indícios. Ou será
que o negócio é que eles são brancos, europeus e cristãos?
O senhor não falou
que era a luta do bem contra o mal? Então quer dizer que o ETA e
o IRA estão do lado do bem? Eles não mataram nenhum inocente?
Não, eu não
sou a favor do Taleban. De jeito nenhum, sr. Bush. Mas o senhor há
de convir que o mal não é uma exclusividade muçulmana,
né?
Vou lhe contar uma coisa
curiosa, sr. Bush. Sabe o que quer dizer IRA na minha língua? Ódio,
raiva, cólera. Coincidência que dá o que pensar, não?
E digo mais, sr. Bush, ninguém
vai ganhar essa sua guerra. Pensa bem, isso não começou agora
e, infelizmente, também não vai terminar durante o seu mandato.
Acho que nem durante o mandato do Bush neto. Sabe por que? Porque um dos
maiores paradoxos do homem é que enquanto houver religião
vai haver guerra, vai haver disputa.
Sim, eu confesso, eu também
não sei o que fazer para acabar com o terrorismo. Mas tenho certeza
que essa guerra não vai adiantar nada, sr. Bush.
É, sr. Bush, a coisa
não é simples como Hollywood quer fazer crer. O comunismo
acabou, mas não era uma religião. Aliás, ele até
negava Deus. Era um sistema ateu. Coisa horrorosa, não, sr. Bush?
Agora, me conta uma coisa,
sr. Bush. Por que todo presidente americano quer uma guerra para marcar
o seu mandato? Como não? Claro que o Clinton teve a sua guerra,
é que no caso dele foi mais conjugal que política e inocente,
naquela história, só mesmo a Chelsea. O resto era tudo, deixa
pra lá vai.
Olha, sr. Bush, do jeito
que as coisas vão, vou lhe dizer uma coisa sinceramente. Seu mandato
ficaria muito mais marcado na história se o senhor conseguisse ser
o presidente que evitou a guerra. Mas isso é pedir demais, né,
sr. Bush?
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