| Nommis
Tenho andado por aí
e encontrado estabelecimentos comerciais com belas placas na fachada que
estampam anomalias como "Bethu's Cabelereiros Phormas e Styllus", "Tok
de Classe", "Eskina Cão", "Kaza do Keijo", "Komida's" e por aí
vai. Tudo isso é verdade, minha imaginação não
chega a tanto. Fico me perguntando o que leva uma pessoa a dar um nome
assim esdrúxulo ao negócio que tantos sacrifícios
exigiu para ser montado.
Será que acreditam
que letras como k e y, letras duplas e 's conferem sofisticação
ao negócio? Nesse caso a própria palavra sofisticação
deveria ser grafada sophystikação. Será que querem
reinventar a língua? Dar um "tok" de humor? Ou são mesmo
analfabetos?
Para mim um estabelecimento
com um nome assim não inspira a menor credibilidade. Acho muito
mais honesto e simpático um lugar chamado "Esquina Cão" ou
"Casa do Queijo". É simples, mas elegante, não é metido
a besta.
Mas pior que isso são
os coitados que ostentam letras duplas, Ks e Ys fora de lugar em seus próprios
nomes. São vítimas daqueles pais que querem dar um "tok"
especial ao nome de seus filhos e tudo o que conseguem é dar-lhes
um problema eterno: o nome que tem de ser soletrado ou explicado toda vez
que é dito.
Por exemplo, se meus pais
tivessem inventado de me chamar de Lucianna, meu nome passaria a ser "Lucianna-com-dois-enes".
Jamais eu poderia deixar de citar esse complemento do nome. Isso quando
o sobrenome não é estrangeiro e causa mais estragos ainda.
Parece que não é
tão grave assim, mas pense em quantas vezes você tem de dar
seu nome a alguém no seu dia-a-dia. Imagine toda vez ter que falar
algo assim: "Lucianna-com-dois-enes Gouvêa-sem-i Sarabontsky-esse
de sapo-a-erre de rua-a-be de bola-ene de navio-te de tatu-esse de sapo-cá-ipsilon".
É um inferno.
Eu mesma tenho que confessar
que meu nome verdadeiro é Luciana Ribeiro Só. É, toda
vez que pedem meu nome e eu digo Luciana Ribeiro vem a inevitável
pergunta: "só?"
E nome que muda de gênero
quando chega por aqui? A Xuxa inventou de batizar a filha com um nome que,
na realidade, é um apelido masculino. Tá, não dá
para esperar muito da Xuxa. Mas e Andrea, que na Itália é
nome de homem e aqui é nome de mulher?
Sobre isso tem uma história
que eu adoro. Uma filha de italianos que nasceu aqui no Brasil e muito
pequena foi para a Itália se chamava "Ióse". Nunca ninguém
tinha ouvido esse nome, mas soava bem, tinha mesmo um jeitão de
nome italiano. Ela já era velhinha quando a parte da família
que ficou no Brasil descobriu que, na verdade, ela se chamava "José".
Os pais devem ter visto o nome aqui no Brasil e como italiano pronuncia
o jota como se fosse i...
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