| Futebol, lágrimas
e amor
Que eu gosto de futebol todo
mundo (que me conhece, é claro) já sabe. Que o futebol, tanto
quanto o cinema e a literatura, por exemplo, me faz chorar, pouca gente
sabe. E não venham os engraçadinhos dizer que "também
torcendo pelo time que você torce..." porque não é
nada disso. O futebol me faz chorar de alegria, de emoção
mesmo.
A emoção de
uma conquista ou mesmo a emoção de ver em campo Irã
e EUA se enfrentando na Copa de 98, num jogo tão significativo.
Você já deve estar percebendo que nessa Copa chorei várias
vezes.
Chorei ao ganharmos da Inglaterra,
chorei ao ver o Sukur chamar os jogadores coreanos para as duas seleções
saudarem juntas os torcedores depois da disputa pelo terceiro lugar e,
óbvio, chorei muito na final.
Mas, ao contrário
do que você imagina, eu não vou aqui falar sobre o jogaço
que foi esse contra a Alemanha, nem sobre a superação do
Ronaldinho (confesso, eu era uma dos que achavam que ele estava acabado
pro futebol), nem sobre o brilhante corta-luz do Rivaldo, nem das belas
atuações de Kléberson e Roque Júnior, nem das
defesas brilhantes do palestrino Marcos, nem da batida de roupa do Kahn
(esta foi a Copa que castigou os arrogantes um a um). O que eu quero, já
que a Roseli provocou, é comentar a declaração de
amor do Cafu pela Regina antes de beijar a taça.
Nessa hora, como é
de se supor, eu estava às lágrimas. Daí vejo o Cafu
subir naquele pódio improvisado o que me fez cair mais algumas lágrimas.
Ele pede calma a quem queria que ele levantasse logo a taça, respira
fundo, abre um sorriso e solta aquele "Regina, eu te amo!". Uau, que lindo!
Isso é que é marido. Eu achei o máximo e chorei mais
um pouco.
Se você ainda não
leu a crônica da Roseli, vá lá,
veja o que ela diz e depois volte aqui. Tá certo, ela tem a sua
dose de razão. Mas imagina comigo: o cara está há
cinqüenta dias do outro lado do mundo, participando da competição
mais importante do universo. Está morrendo de saudades da mulher,
que ficou aqui. Cada vez que ele fala com ela pelo telefone a saudade fica
mais forte ainda.
Toda noite ele fica pensando
nela, imaginando um jeito de fazê-la saber que ela faz muita falta
e que ele a ama muito, muito mesmo. Mas um jeito que seja maior que as
palavras, um jeito que seja um gesto. De repente, ainda na primeira fase,
vem a idéia. Uma idéia brilhante, mas com um detalhe fundamental:
o Brasil precisa ganhar a Copa para ele poder colocá-la em prática.
Então, ganhar essa
Copa passa a ser ainda mais importante. Como jogador, ele dá tudo
de si em cada jogo. Como capitão e veterano da seleção,
ele incentiva os jogadores, injeta ânimo, coragem e raça (e
pede também que eles usem a habilidade, porque já que é
pra ganhar, é pra ganhar bonito). Ganhar essa Copa vira uma obsessão
de apaixonado.
Pode ser, Roseli, que se
não fosse o amor do Cafu pela Regina a gente não tivesse
levantado essa taça. Obrigada, Regina!
.... |