| Autoflagelação
2, a missão
Mulher é mesmo um
bicho esquisito. A maior parte traz, como característica da raça,
a necessidade de auto-flagelação. O mundo gira, a lusitana
roda, o conhecimento e as tecnologias evoluem, e a mulherada lá,
sofrendo. Ou melhor, arrumando um jeito de sofrer.
Antigamente uma mulher feliz
era aquela que se casava, tinha filhos e se sacrificava por eles, enquanto
sacrificava todo mundo com suas lembranças dioturnas sobre o sofrimento
da gravidez, das dores do parto e do sacrifício que é fazer
tantos sacrifícios.
Hoje em dia, com o advento
do parto sem dor, da babá eletrônica, do berçário
altamente especializado, da máquina de lavar e da profissionalização
da mulher, o sofrimento acabou. Pelo menos "aquele" sofrimento acabou.
Porque apareceram outros como o biquini, o tomara-que-caia e a minissaia.
E aí você me
pergunta: mas desde quando biquini, tomara-que-caia e minissaia são
sofrimentos? E aí eu te respondo: você seria capaz de desfilar
em público de biquini, com toda aquela celulite dando sopa? Ou de
tomara-que-caia, com o peito caído? Ou de minissaia, com aqueles
vasinhos que andaram aparecendo nas pernas, ultimamente?
Se você é homem,
é óbvio que não daria a menor bola. Eu, pelo menos,
nunca tive notícia de algum que usasse espartilho pra disfarçar
a barriguinha de cerveja. Ou que não tirasse a camisa porque não
raspou debaixo do braço.
Mas mulher é diferente.
Mulher precisa fazer massagem redutora, esfoliação, lipo,
lifting, maquiagem definitiva, cirurgia plástica ou qualquer outra
coisa que justifique sacrificar todo mundo com suas lembranças dioturnas
sobre o sofrimento que é aquele novo aparelho de ginástica,
sobre as dores do pós-operatório e sobre o sacrifício
que é fazer tantos sacrifícios.
Bicho estranho, mesmo. Tão
estranho que, nestes últimos milhares de anos, ainda nem percebeu
que homem nenhum faz questão de nada disso. E que, provavelmente,
nem vai perceber.
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