| Beijo no coração
Tanta coisa boa de beijar,
e esse povo escolhe logo aquela bombinha que tem mania de acumular colesterol
ruim. Imagina a gordura amarela juntando… argh! E quer apostar que quem
inventou essa expressão faz frescura até pra temperar um
frango?
Tá certo que coração
é importante. Mas daí a ganhar beijo… E mais: será
que quem fala uma coisa dessas não está sublimando a vontade
inconsciente de serrar suas costelas?
Freud, se fosse vivo, explicaria.
Mas morto, ele só consegue mesmo explicar beijos no interior do
útero materno. Ou outros, relacionados a hormônios em geral.
E por falar em hormônios,
que tal "um beijo na sua tireóide"? Se eu dissesse isso pra você,
estaria desejando que você se mantivesse no peso ideal. Não
é lindo e muito mais romântico?
Mas se a gente tivesse mesmo
que ficar mandando beijos pros miúdos alheios, eu votaria no cérebro.
Já pensou? Ou ficou com nojo só porque a massa é cinzenta
e vem recheada de neurônios? Isso é preconceito da sua parte,
sabia? Afinal, a gente só é o que é porque aquela
massa nojenta é o que ela é. Ou não estou falando
a verdade?
Tudo bem, eu entendo: as
pessoas conscientes e plenas do seu ser continuam preferindo beijar coisas
assim… muito mais ensangüentadas. Então que tal beijar o rim?
Ou o rim não é um órgão sério? Quem
sabe o fígado, talvez? Aliás, acho que todo mundo ganharia
muito mais se tivesse um pouco de respeito pelo fígado do próximo.
Pelo menos na hora de se despedir mandando beijo.
Por que não mandar
só o beijo e pronto? Você manda assim, em aberto, e a pessoa
recebe onde quiser ou estiver precisando. Na coluna vertebral, por exemplo.
Ou será que osso e cartilagem não valem?
E por falar em despedida,
tá na minha hora. Lembranças pra família e desculpe
alguma coisa, heim?
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