| Qualidade total
E então aquela voz
impostada respondeu cerimoniosamente: ele não se encontra.
Coitado! Ainda hoje pela
manhã ele me pareceu tão bem! Como foi que tudo aconteceu?
Pancada na cabeça? Álcool demais na hora do almoço?
Desgosto com o salário?
Mas a pobre não soube
responder. E ficou repetindo sem parar que ele foi a uma reunião.
Mas como? Foi a uma reunião sem se encontrar? Vai ficar mais perdido
ainda.
Que tristeza! Tão
jovem, tão talentoso, tão promissor e com uma funcionária
dessas.
Aposto que se ele finalmente
conseguisse se encontrar, ela não exitaria em soltar um "quem gostaria?"
Gostaria de quê, minha
filha? Cê acha mesmo que alguém gostaria de ficar ouvindo
esse tipo de baboseiras telefônicas? A gente só agüenta
isso por obrigação profissional.
Tão ruim quanto é
quando alguém manda uma carta, um fax ou e-mail se colocando no
aguardo. No aguardo é demais. Tá certo que pelo menos economiza
um gerúndio. Só que deveria aproveitar pra economizar, também,
essa tal de contração. Mas aí é já é
pedir muito. Pra quem fica no aguardo, contração só
pode ser sinal de que o bebê vem aí.
Geralmente esse tipo costuma,
ainda, inteirar o chefe. Não estranhe. Dizem que existem certos
tipos de chefe que chegam pela metade. Ou faltando pedaço. Ou mesmo
aos pedaços, dependendo da ocasião. Aí só resta
ao funcionário mais dedo-duro a tarefa de juntar tudo e inteirar.
E quando termina o servicinho
sujo é que é uma maravilha: olha de cima para os colegas
de escritório e diz: pronto, o chefe já foi inteirado. E
soa assim: contei tudo pro papai. Agora vocês vão ver uma
coisa.
Isso é o que eu chamo
de eficiência.
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