| Moda homem
Alguém, por acaso,
tem notícia de que a moda tenha sugerido alguma vez - e ainda que
de leve - que "o estilo" agora exige homens altos ou magros ou gordos ou
musculosos ou peludos ou depilados ou seja lá o que for? Aposto
que não. E olha que eu nem vou usar um "não" desses simplezinhos.
Vou logo de nananinanão.
Aliás, perceba que
no departamento masculino ela não fez grande coisa nos últimos
dois ou três séculos. E que, antes disso, mal havia moda masculina:
o que mais havia eram conveniências e circunstâncias sócio-econômico-filosófico-culturais.
Estou errada?
Então vamos pensar
juntos: nas grandes cidades, o chapéu caiu em desuso por conta própria,
sem precisar da intervenção da moda. Mas nem por isso os
homens se sujeitam a passar frio. Você já notou que nunca
faltaram capuzes, gorros, boinas e bonés de todos os tipos e formatos,
e que, quando o inverno aperta, eles compram qualquer um, colocam na cabeça
e pronto? Agora procure você um chapéu feminino que possa
ser usado no dia a dia. Vão te olhar como se lhe faltassem parafusos
e dizer que está fora de moda. E note que isso pode acontecer até
com chapéu de festa, dependendo da tendência da estação.
Também tem a história
do fraque, que os homens bem que tentaram aposentar, mas que acabou reservado
para as ocasiões muito, mas muito especiais. E adivinha se nessa
reserva tem dedinho de mulher! Sim, porque hoje em dia um homem só
se digna a vestir um fraque se for sob forte pressão ou ameaça
de greve de sexo. Independentemente da opinião da moda. É
ou não é?
Então, o que foi que
sobrou de serviço para a moda homem? Encompridar calças e
encurtar casacas? Alargar e estreitar golas? Inventar a gravata e trocar
os suspensórios por cintos? Grande coisa. Lembre-se do que aconteceu
nesse mesmo período com a moda feminina, e depois disso pode me
corrigir. Porque, pelo menos até onde a minha vista alcança,
a única alteração séria que tem sido feita
nas coleções masculinas, ano após ano, estão
nos botões e nos lugares dos botões. Num dia o paletó
tem quatro botões alinhados. Noutro dia os botões viram seis
e são divididos em duas colunas. Num dia cada punho tem dois botões,
noutro dia tem três ou fica só com um. Num dia tem botão
no colarinho ou nos bolsos das calças, noutro dia não tem
mais. Ainda assim, homem nenhum sai pra comprar roupa só por causa
dos botões.
Você está achando
que a moda não liga para os homens, é? Pois lá vai
outro nananinanão. Acontece apenas que ela não é nem
doida de ficar insistindo. Até uns quarenta anos atrás, eram
eles que pagavam quase cem por cento das despesas com moda. Hoje, otimísticamente
imaginando que pagam só a parte deles, isso pode ser calculado em
cinqüenta por cento da população. Você iria se
indispor com um mercado deste tamanho? Na-na-ni-na-não, nada mais
óbvio.
E então você
me pergunta: mas se o raciocínio é assim mesmo, como é
que essa tal de moda vem aprontando desde sempre com os outros cinqüenta
por cento? Elementar, meu caro Watson.
Embora uma coisa dessas nem
se precise explicar, porque das inseguranças femininas e das fraquezas
masculinas o mundo já sabe o bastante, concorda?
E não é que
os homens não sejam vaidosos. Ah, isso eles são, e como são!
O fato é que homens sempre colocam o próprio conforto como
limite, não dão a menor bola para a torcida e ponto final.
E a gente ainda diz que é igualzinha a eles. Rararirará.
Do jeito que a coisa vai, nós vamos ficar iguaizinhas, sim. Iguaizinhas
entre nós.
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