Básico
Guia de comportamento
civilizado
para quem acha que a
etiqueta é um porre.
Por incrível que pareça,
a etiqueta não veio ao mundo para torturar ninguém. Ela foi
criada para tornar a convivência humana mais simples, mais harmônica
e muito mais agradável em qualquer situação.
Aí vieram os esnobes
e começaram a regulamentar até mesmo a forma correta de empunhar
uma touca de banho, para total constrangimento de quem não podia
passar anos e anos aprendendo "o jeito certo" de fazer todas as coisas,
e nem tinha dinheiro suficiente para contratar um chefe de cerimonial.
Aí vieram os abolicionistas
sociais, que não sossegaram enquanto não conseguiram incitar
a população e libertar o mundo daqueles milhões de
páginas de bons modos, repetindo sem parar que tudo aquilo era frescura.
Aí vieram aqueles
que nunca têm a menor noção do que está acontecendo,
mas sempre fazem questão absoluta de meter a colher em tudo, e,
com uma autoridade que só a mais completa ignorância pode
conferir, misturaram as regrinhas esnobes com os mais básicos conceitos
de comportamento civilizado e (quase) todo mundo acreditou.
Aí veio uma falta
de educação desgraçada.
Aí, para não
passar muita raiva ou muita vergonha, alguns empresários inventaram
de dar cursos de etiqueta no trabalho, para que (pelo menos) os seus funcionários
passassem a agir de uma forma minimamente aceitável. Só que
alguém errou na mão e ensinou de mais ou de menos, de modo
que continuamos sofrendo, seja pela falta absoluta ou pelo constrangedor
excesso de gentileza. Se o meio-termo está difícil, estender
os ensinamentos para fora das situações de trabalho, nem
pensar. Se bem que, em certos casos, chegue a ser melhor assim.
Mas eu não liguei
o computador para escrever sobre história ou sociologia, e nem estou
aqui para chorar sobre o bom senso derramado. O fato é que o mundo
trata melhor as pessoas que agem de modo civilizado, tenham elas decorado
regras ou não. E o motivo é muito simples: pessoas civilizadas
incomodam menos e agradam mais em qualquer ocasião, independentemente
do seu grau de inteligência, condição social, nível
de escolaridade ou poder aquisitivo.
E vou além: ao contrário
da inteligência, que já nasce com o indivíduo, um comportamento
civilizado é questão de observação e treino,
e pode ser adquirido a qualquer tempo. Se você já tem,
use. Se ainda não tem, faça como eu: finja. De tanto fingir,
talvez um dia nós dois acabemos incorporando.
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