Finja que sabe se vestir
civilizadamente.
Estar na moda e saber se
vestir são coisas bem diferentes, que podem se complementar ou conflitar
uma com a outra, dependendo do equilíbrio entre autocrítica
e amor próprio que existe em cada indivíduo.
Evidentemente, não
posso e nem vou falar de moda aqui, até porque a moda tem o terrível
hábito de mudar a cada estação e eu não tenho
o menor fôlego físico ou financeiro para correr atrás
dela. Mas, na qualidade de veterana na arte do fingimento, posso dar algumas
dicas para quem pretende começar, agora, a fingir que sabe se vestir
de modo civilizado.
Antes de qualquer coisa,
é necessário que lancemos algumas luzes sobre o conceito
de corpo.
Seja qual for a sua crença
sobre a origem do ser humano, existem pelo menos dois pontos com os quais
todos somos obrigados a concordar. O primeiro é que os humanos já
vêm de fábrica em diversos modelos, contemplando tamanhos,
cores e formatos diferentes para agradar a todos os gostos e preferências.
O segundo é que, depois do surgimento do Homem na face da Terra,
passaram-se milhões de anos até que alguém resolvesse
inventar moda.
Posto isso fica claro que,
seja do ponto de vista teológico, biológico, sociológico,
histórico, hierárquico, de quem chegou primeiro ou de quem
inventou quem, o corpo humano - em qualquer uma das suas variações
- não está sob jurisdição da moda. Desta forma,
a não ser por questões de saúde, você pode manter
o seu corpo exatamente como ele é, a despeito do que as melhores
publicações possam ter decretado neste mês. Assim como
a moda, elas também cultivam o hábito de mudar de idéia
a cada nova estação. Ou, às vezes, a cada nova edição.
Mas há um detalhe
importantíssimo, que precisa ser observado com todo rigor: um corpo,
tal como ele é, não pode ser considerado feio ou ridículo,
mas pode estar sujeito a qualquer tipo de comentário maldoso quando
se apresenta com aquelas deformações provocadas por roupas
curtas demais ou apertadas demais, ainda que tais roupas estejam no auge
da moda.
Não perca, na próxima
semana:
"Finja que sabe se vestir
civilizadamente II - Evitando laranja e panetone."
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