Laranja e panetone: evite
com todas as suas forças.
É claro que eu não
estou falando da fruta ou do doce. Por mim, você pode comer o que
bem entender, na quantidade que desejar, desde que mastigue com a boca
fechada. Estou falando em duas das principais deformações
que um corpo apresenta quando está enfiado dentro da roupa errada.
Para quem ainda está
fingindo que não reconheceu os efeitos pelo nome, vou explicar:
efeito laranja é aquele punhado de celulite que fica evidente quando
você se mete numa calça justa demais, e efeito panetone é
todo e qualquer volume que sobra na horizontal, depois que a roupa acaba.
Pode ser banha, pele ou osso: não importa. Se alguma coisa estufou
acima do cós ou nas lateriais de qualquer elástico, é
claro que a roupa não serve. Tente um número maior ou desista
de uma vez.
Vira e mexe vejo gorduchas
cujos trajes permitem notar que todas as curvas, reentrâncias e fofuras
são naturais do corpo dela. Nada mais civilizado. Infelizmente a
maioria não é assim, e o que mais a gente encontra pela rua
são mulheres com dois culotes em cada perna, quatro seios na frente
e dois atrás, duas ou três barrigas e outras barbaridades
dignas de estudo sério em laboratório de biologia.
Isso sem falar naquelas calças
de cintura baixa que fazem a barriga chegar antes da pessoa. Se esse modelo
tem o dom de acrescentar volumes abdominais até em gente esquelética,
imagine o que não é capaz de fazer com quem possui uma carnezinha
a mais. É pelo menos um palmo pra fora, andando lá na sua
frente. Quem usa deveria ser multado por produzir poluição
visual.
E também têm
aqueles jeans tão justos, mas tão justos, que não
permitem que se dê um passo sem que o quadril acompanhe a perna.
E a pessoa vai andando: primeiro todo o lado direito para a frente, depois
o esquerdo. Que nem soldadinho de chumbo. Se não for masoquista,
deveria levar uma surra. Se for, aplicar a tal surra não teria a
menor graça.
Num mundo minimamente civilizado,
a moda deve ser usada apenas se valorizar o corpo. Vestir roupas que enfeiam
só porque estão na moda é assunto para outra conversa.
De preferência, com um bom analista.
Não perca, na próxima
semana:
"Finja que sabe se vestir
civilizadamente III - Se não quer valorizar, pelo menos não
estrague tudo."
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