O Código Da Vinci
e outras teorias conspiratórias
Salvo por aquela meia dúzia
de sempre que ainda insiste em acreditar que John Kennedy sobreviveu ao
atentado em Dallas e que não foi o Elvis que morreu, mas sim o Paul
McCartney, parece que depois de alguns anos o mundo conseguiu chegar a
um consenso sobre a verdade dessas questões.
Difícil mesmo seria
provar por A + B o que foi que aconteceu no Oriente Médio dois mil
e tantos anos atrás, quando nem hoje em dia - com todo o avanço
tecnológico disponível - a gente consegue saber direito o
que se passa por lá.
Aí vem o quase impossível,
que é rastrear e encontrar a verdade sobre acontecimentos que foram
desencadeados no Ano 0 e que se espalharam pelo mundo, sempre no mais absoluto
sigilo, durante a bagatela de 20 séculos. Agora quer saber o que
eu acho mesmo impossível? Concentrar tudo isso em 480 páginas
muito bem escritas e recheadas de aventura.
Com todo o respeito que devo
ao conhecimento e à opinião dos historiadores, dos teólogos,
esotéricos, estudiosos, religiosos, cientistas, bruxos, sábios,
magos, deuses, analistas de sistemas e críticos literários
em geral, pessoalmente eu acredito que, se hoje forem encontrados documentos
que provem alguma das inúmeras teorias existentes acerca do tema
principal de O Código Da Vinci, ainda assim ninguém poderia
saber com certeza se eles partiram de um escriba sério, com tendências
histórico-jornalísticas, ou de algum obscuro e delirante
cronista, como esta que vos fala.
É por essas e por
outras que eu não entendo a razão de tanto debate entre os
que defendem e os que repudiam O Código Da Vinci, já que
para mim está muito claro que o conteúdo do livro apenas
combina - maravilhosamente, diga-se de passagem - os melhores ingredientes
possíveis para uma deliciosa ficção policial.
Tá certo que todo
ser humano que se preza adora uma boa teoria conspiratória, ainda
que seja só pra relaxar. E tá certo também que, sabendo
disso, o Dan Brown deu um empurrãozinho na polêmica, declarando
que é (quase) tudo verdade. Mas não tenho a menor intenção
de crucificá-lo pela heresia, porque o livro é tão
delicioso, mas tão delicioso, que eu nem consegui degustar aos pouquinhos:
fui devorando tudo logo de uma vez e fiquei com aquele gostinho de quero
mais.
O ritmo e os cortes nos capítulos
tiram o fôlego de qualquer cristão, e dariam um seriado "24
Horas" pra lá de perfeito. E com Ibope garantido, já que
o público não pára de demonstrar seu interesse e sua
carência de informações sobre a questão. A propósito:
você já reparou na quantidade de livros que foram lançados
pra pegar carona em todo esse sucesso? É um tal de desvendar, quebrar,
explicar, desmascarar, confirmar, desmentir e decodificar o pobre do Código,
que já tem até livraria montando expositor especial para
vender tudo junto. E confesso que até eu já caí nessa,
talvez por alimentar a esperança de encontrar uma continuação
tão deliciosa quanto.
Só que o pessoal pega
carona falando sério e, embora não seja bem isso o que eu
procuro, parece ser exatamente o que o público quer. Afinal, se
as pessoas estivessem interessadas apenas na ficção ou na
conspiração, jamais se dariam ao trabalho de ler tantos e
tão detalhados estudos e pontos-de-vista a respeito.
Mas hoje eu não liguei
o computador para discutir história e filosofia que nem gente grande.
Liguei apenas para dizer que, se você quer suspense e mistério
na medida certa, e se está disposto a perdoar o autor por um desfecho
rápido demais, eu recomendo que você leia O Código
Da Vinci o quanto antes. Agora, se você também resolver que
conteúdo de romance policial é fonte de informação
líquida e certa sobre os mistérios do Cristianismo, por favor
não me diga nada. E já não está mais aqui quem
indicou.
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