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Títulos

Estranho o que fazem com os títulos das obras. Primeiro, porque deve ser muito difícil pôr um nome na criação de algo que germinou de uma idéia na cabeça, normalmente demandou longo tempo para ser materializado e, quando a obra está pronta, ser titulado, rotulado. 

E, em segundo lugar, deve ser uma tarefa terrível para o criador, sintetizar em poucas palavras e de forma coerente e adequada todo um conteúdo. 

Acho que é por isso que há títulos que por mais que a gente se esforce para ver a adequação do nome dado pelo autor com a obra, não se consegue. 

Nas Artes Plásticas modernas isso chega às raias da insanidade. Ou do criador ou da gente mesmo que não consegue interpretar ou a obra em sí com aquele título ou o significado do título com aquela obra. A gente olha, examina a escultura tentando visualizar algo com que se tenha referência, mas de nada serve. Impossível. Assim também é com a Pintura Moderna. Outro dia, bisbilhotando uma galeria de arte, deparei com uma tela que, no meu leigo entender, não passava de um empastelamento de borrões, piceladas tresloucadas, disformes e, o que mais me supreendeu foi o título meigo: "Entardecer na Primavera". Com a maior boa-vontade, procurei encontrar naquelas manchas algo que me lembrasse um pôr-do-sol ou apenas um rainho de sol já esfumaçado ou pálido pelo entardecer, mas nada! 

Já os livros e filmes ficam mais fáceis de serem titulados. Depende do ponto-de-vista do autor, aquilo que ele mais queira valorizar. 

Mas o que eu queria comentar mesmo é que existem títulos que marcaram minha vida e que sempre vêm à minha mente, em momentos em que alguma coisa tem a ver com aquilo, mesmo que no inconsciente. 

"O doce pássaro da juventude" filme que, por incrível que possa parecer, teve seu título traduzido para o português seguindo fielmente seu original "The sweet bird of youth", acho que em respeito ao autor da obra, Tenesse Williams. Ou "Voar é com os pássaros", filme que não assisti na época em que foi lançado e que só décadas depois, soube ser baseado na lenda de Ícaro. Aí entendi que esse título era óbvio demais. 

A tradução de títulos de filmes, entretanto, na sua maioria, são de uma natureza estranha, sem explicação ou coerência. Nunca consegui entender que "talento" nacional traduziu "The Giant" por "Assim caminha a humanidade", e os mais velhos, que lembram das décadas de ouro de Hollywood e naturamente lembram desse filme inesquecível, concordarão comigo que o título em português não condiz em nada com a obra. 

Tem outros, que sem entrar no mérito dos seus conteúdos, são por si só atraentes ou instigantes, como "A insustentável leveza do ser" ou "A fogueira das vaidades". 

Quanto ao título de livros, tenho meus favoritos. Não os livros, mas seus títulos. Pelo conjunto da obra de títulos mais interessantes, premio J. Mario Simmel. Vejam se não dá vontade de ler "Só o vento sabe a resposta", "Nem só de caviar vive o homem", "Matéria dos sonhos" , "Amor é só uma palavra" entre tantos. 

Existem outros casos, voltando aos filmes, de que a versão portuguesa do título é muito melhor que o original. E para isso classifico "84 Charing Cross Road", aqui para nós chamado "Nunca te vi, sempre te amei". 

Daí a conclusão que chego de que a obra humana mais fácil de ser titulada é um filho. Basta selecionar o sexo e homenagear um ascendente ou escolher um nome do seu agrado, que será de acordo com o gosto do(a) autor(a). Mas essa já é outra história e tema para outra prosa.

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