| Até debaixo d'água
Almocei esta semana com a
encantadora Miss Fritzke, que me contou que, entre outras novidades, adquiriu
em recente viagem à Europa um curioso alfarrábio, edição
espanhola fac-símile de um manual de "procedimentos cristãos"
adotados durante a Inquisição, procedimentos esses que tinham
como finalidade "purificar os impuros", e ainda, conforme depreendi, mandá-los
direto para o Inferno, sem escalas, mesmo que em vida. Ao informar-me de
sua recente compra, minha gentil amiga não só deu mais uma
garfada num suculento pedaço de Steak au Poivre, como ainda, logo
em seguida, presenteou-me com um de seus mais belos e delicados sorrisos.
A conversa lembrou-me algo
que li há muito tempo, não sei onde, a respeito de um julgamento
de bruxas, que eram atadas a pesos de metal e atiradas num lago. Caso boiassem,
eram consideradas culpadas e imediatamente queimadas. Caso afundassem,
eram consideradas inocentes (além de, presumo, clinicamente mortas).
Boa coisa se tal sistema fosse utilizado no Brasil, com a diferença
que, ao invés de bruxas, os réus seriam políticos.
Caso boiassem, seriam considerados corruptos e instantaneamente fuzilados.
Caso afundassem fariam, ainda que involuntariamente, um enorme bem à
nação pela qual (enquanto estavam em campanha) juraram trabalhar.
Garanto que o país ficaria limpo antes que o ACM pudesse dizer "habeas
corpus". Saneamento básico é isso.
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