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Joyce é jóia (IV)
Paulo Francis salva o dia 

Disposto a buscar fonte de pesquisa mais nobre, voltei-me para o indefectível Dicionário da corte, do nosso querido Paulo Francis. E foi aqui meus caros, que ( como sempre ) as coisas começaram a ficar mais claras... A opinião pessoal de Francis: "Ulisses é o mais profundo mergulho no inconsciente humano depois de A interpretação dos sonhos, de Freud." (Quem é Freud?). E mais... 

"Joyce, quando escreveu Ulisses, reduziu a Odisséia a uma hedionda (tematicamente) saga burguesa, Stephen Dedalus como Telêmaco, Bloom como Odisseu (Ulisses) e Molly, Penélope. Um intelectual alienado, um "contato" de publicidade e uma ninfomaníaca. Sintetizou os anos em que Ulisses viaja de volta a casa num dia, 16 de junho de 1904. Conta com seus poderes infinitos de linguagem para redimir esta mediocridade e, apesar de o livro ter dois defeitos graves, as suas epifanias verbais subvertem a sordidez ambiente e a paisagem estéril da nossa vida, e a sensualidade de Molly, que ocupa todo o último capítulo, seria repulsiva se não fosse a linguagem, o ritmo de crescendo ao clímax triunfante de Molly, com seu yes orgástico. Os defeitos são que o livro não corre e ao pastiches são chatíssimos no seu pedantismo." 

E nos esclarecendo ainda mais a respeito do tal fluxo de consciência (como diria o músico amador e palhaço profissional Arnaldo Antunes, "tire a mão da consciência e meta a mão na consistência"; aargh!), Francis escreveu:

"Contei outro dia alguma andanças de Leopold Bloom, a personagem central de Ulisses, de James Joyce. Apesar de toda a erudição do autor, de suas correntes contraditórias de consciência, em que ele reproduz pensamentos, imagens, cheiros e o que George Orwell chamou de "imbecilidade do interior da nossa mente", é mais simples entender Bloom, corno, amargando um filho morto e uma vida medíocre, mas capaz de sensibilidade extrema, como nas suas palestras sobre arte com seu filho espiritual Stephen Dedalus. Grande arte é muito clara." 

E o veredicto final: 

"Acho Joyce muito chato. Mas é um grande escritor." 

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