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Joyce é jóia (V)
Espantosa Simetria 

E não é que no Domingo abri o Caderno 2 do Estadão e dei de cara com um artigo sobre Ulysses? Como nada acontece por acaso, resolvi fazer quatrocentos polichinelos (em reverência a Vishnu, Deus da cocada preta) e depois lancei-me sofregamente à leitura da matéria. Fiquei sabendo que Ulysses foi "perseguido por ser obsceno, queimado em praça pública em Nova York" e que "desencadeou protestos no mundo todo", só sendo liberado em 1933. O melhor de tudo é o seguinte: na época a acusação não era que "Ulysses despertava o desejo sexual, mas que sua simples existência" era "uma profanação." Os censores se revoltaram com "os pensamentos que, no seu entender, passam pela cabeça dos outros - pensamentos que, na realidade, passam pelas suas próprias cabeças." O sábio Joyce comentou à época que "nenhuma heresia era mais odiosa para a Igreja Católica do que um ser humano." 

...Meu cérebro corroído pela vida logo fez uma analogia entre esses tais pensamentos e as percepções inovadoras de mim mesmo que tive durante recente conversa com Elza Maria Braun, paleontóloga e dançarina de strip tease... mais isso já é outra história... 

Conclusão: o inconsciente é formado por milhares de idéias para as quais não damos importância durante o dia, porquê estamos ocupados pensando em outra coisa. 

E o meu veredicto: James Joyce: gênio palhação.

É SÓ 

...e para aqueles que fatalmente irão me criticar pelo excesso de citações, aqui está minha defesa: "tudo o que resta da linguagem é um sistema de citações, porque tudo o que havia para se dizer já foi dito." Borges, Jorge Luis, in Utopia de um homem que está cansado.

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