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Autobiografia não autorizada

Meu nome é Luiz Marcondes, mas isso não vem ao caso. Tenho 28 anos, o que talvez tenha alguma importância. Tenho também uma guitarra elétrica e uma cabeça quadrada que está sempre pronta para explodir, mas não explode. Meus olhos escuros observam tudo do fundo dessa caixa, minha cabeça quadrada e metálica. Comecei a escrever aos dez anos de idade, mas parei logo, porque a professora de Redação chamou minha mãe na escola e reclamou que se eu continuasse produzindo naquele ritmo, o caderno ia acabar antes do final do ano e ela ia ter que comprar outro... Larguei a pena no ato. Só fui recomeçar 12 anos mais tarde, logo depois que meu pai morreu, para exorcizar 
meus fantasmas, mas sem muito sucesso. Alguns estão comigo até hoje. 

Meus ídolos literários são poucos, mas eu os amo de verdade: o cáustico Paulo Francis, criador e criatura, cujo maior personagem foi ele mesmo. O genial Millôr Fernandes, patrimônio cultural vivo do nosso pobre país... O Salinger dos "peixes-banana", da "fase azul de Daumier-Smith" e do inevitável "Apanhador no Campo de Centeio".... E Borges, leio muito Borges. Aquilo sim, é literatura. O resto é história em quadrinhos. Se alguém duvida, que leia o conto "A biblioteca de Babel". Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta.

No mais, sou um cara sensível, inteligente e pacato. Gentil, até... Infelizmente, sou incapaz de matar uma mosca. Senão, matava. Meus gostos são simples, minhas ambições moderadas. Minha única paixão ardente é a metafísica, por isso sigo procurando respostas: ainda não descobri qual é o sentido da vida. Mas algo me diz que tem alguma coisa a ver com transar e ficar bêbado. 

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