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Bin Laden e el Che

Ainda sob o impacto da overdose do noticiário sobre Osama Bin Laden, chego à conclusão de que o terrorista saudita é uma versão muçulmana do lendário guerrilheiro Che Guevara.

As religiões são diferentes: Che era crente do marxismo e Bin Laden é seguidor fervoroso do islamismo. Mas a ação de ambos está fundada no ideal de combater injustiças sociais e instaurar uma nova ordem global, quer as pessoas envolvidas estejam interessados ou não. 

Os dois agem como se representassem a encarnação de um desígnio superior: Che, o materialismo diáletico; Laden, a própria vontade de Maomé. O fanatismo de ambos é rigorosamente idêntico, assim como o carisma e a capacidade de estrategistas de guerra. Os depoimentos de quem conviveu com os dois coincidem no fato de que são extremamente sedutores. 

Che Guevara sonhava espalhar a revolução socialista pela América Latina, que seria uma alavanca importante para a superação do capitalismo em escala planetária. Bin Laden sonha conquistar o Oriente Médio e impor à civilização ocidental corrompida pelo mesmo capitalismo a pureza do Alcorão. Lutam pelo direito de privar os direitos dos outros. 

Para ambos, os Estados Unidos são a verdadeira face do Mal, o monstro a ser derrotado com unhas e dentes. Acreditam cegamente poder derrubar o inimigo como David abateu Golias, com pedras.

Não é preciso lembrar que os dois abandonaram o conforto de famílias bem colocadas socialmente, como fazem os grandes mártires, para seguir um projeto utópico, enfrentando aventuras e adversidades.

As atitudes e posturas messiânicas de ambos os tornam simpáticos aos olhos dos idealistas, especialmente jovens. Quando mortos em combate, sacrificados pela "causa justa", tornam-se ícones, mistificados pelo senso comum e pela mídia. Toda a violência, intransigência e ambições pessoais são esquecidas em favor da imagem romântica de paladino salvador.

Como aconteceu com Che, é provável que Bin Laden esbarre na dura materialidade do mundo real, com suas contradições insolúveis e diferenças intransponíveis, mas com as quais o ser humano tem que aprender a lidar de modo razoável, já que racioncina.

Quem sabe se em alguns anos, passado o furacão insano dos conflitos militares, não vejamos camisetas e botons com a figura de Osama Bin Laden disputando espaço com os de Che Guevara nos tabuleiros dos camelôs?

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