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Fernando de Noronha

Em Março passado estivemos por uma semana inteira nesse lugar indescritível.

É muito difícil exprimir o que existe naquela ilha. Quaisquer tentativas de passar os sentimentos e impressões que se tem de lá, parecem injustiças. Quem foi, sabe.

Realmente é necessária uma certa logística para conhecer tudo dentro de um tempo razoável, pois a tarifa de permanência cresce exponencialmente.

A delicadeza do sistema ecológico da ilha contrasta com a vida humana que tenta interagir com o local. Alguns chamam a ilha de “ïlha do não”, por ter muitos locais e comportamentos proibidos. O controle de visitação e a fiscalização permanente da fauna e da flora local nos faz sentir o quanto somos nocivos ao nosso próprio meio ambiente. E realmente sentimos que existe esta necessidade, pois a vida ali é ingenuamente frágil.

Aves marinhas pegam pequenas sardinhas de nossas mãos em pleno vôo, basta oferecer. Peixes ornamentais correm em sua direção, por pura curiosidade, quando se entra nas piscinas naturais formadas nos arrecifes com a maré baixa. Fiquei enrugado numa delas, filmando os peixes me beliscando até dentro da boca num festival de cores, tamanhos e variedades. Nem todos os ácidos do mundo te dariam este barato, filme dos anos 70.

Debaixo d’água, moréias, barracudas, melros, tubarões, golfinhos, tartarugas e até peixes te encaram como outra espécie, despertando a curiosidade somente pelo cilindro, bolhas e esquisitice dos manés da profundidade.

Em Noronha não falta nada: remédios, alimentos, água, sexo, drogas, rock’n roll, blues, bar do cachorro, cerveja e esportes, qualquer um que preste.

Para escalar, boulders, falésias, canions e picos fazem a alegria dos tendinitósos. No Morro do Pico, onde tem uma escada precária e duas vias conhecidas de escalada (uma do Frechou), precisa de autorização prévia do administrador da ilha; os boulders são free, as falésias também, desde que não se prejudiquem as plantas ou animais do local.

Na Paria do Boldró, cujo nome não é mera coincidência, pois havia uma base americana no local que era conhecida com bold rock, tem bolders pra tudo que é lado. Foi onde abandonei o surf definitivamente.

Na Baía do Sancho se chega descendo através de escadinhas nos canions, facilmente substituídas por desescaladas em chaminés chapantes. Uns vinte metros! Toda a praia é cercada por paredes verticais com seqüências de fendas de todos os tipos. Só ali dá pra passar um mês escalando.

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