| Rope Swing, quase morri!
Pois é moçada,
o Rope Swing, uma modalidade da escalada em que você pratica uma
queda livre amparado apenas pela corda de escalada, pode gerar forças
incríveis de até 500 quilos sobre seu corpo, ou seja, algo
em torno de 8 Gs no meu caso.
Foi da magnífica ponte
metálica de 86 metros de altura, que liga a Bahia a Alagoas, que
tive a oportunidade de mandar para baixo sem dó!
A queda de 60 metros, que
durou mais ou menos 4 segundos e estabeleceu o novo recorde brasileiro,
foi freada por uma corda dinâmica de 10,5 mm de diâmetro e
8% de elasticidade. Como o fator de queda não é crítico
(fator 1, onde a altura da queda é igual ao comprimento da corda),
as condições de segurança dos equipamentos são
satisfatórias, apesar de estar à metade dos limites envolvidos.
Porém, cair estável para distribuir uniformemente o impacto
sobre o corpo proporciona vida saudável após o salto.
As preparações
para o rope swing exigem bastante conhecimento das técnicas, dos
equipamentos e de si mesmo. Concentração e energia são
indispensáveis, pois toda a ancoragem tem que estar em perfeita
ordem. A corda não deve estar nem próxima de qualquer obstáculo
em toda sua extensão antes, durante e depois do salto. Os nós
e seus back-ups devem funcionar em harmonia quando solicitados (se houver
rompimento será no nó), a corda, mesmo nova, deve ser rasteada
em busca de imperfeições. O equipamento individual tem que
estar muito bem ajustado e o nó escolhido deve ser feito de forma
“Zen”.
Uma vez checados todos os
itens, é hora de relaxar e se preparar para o salto. Para mim, existe
um espaço antes da queda onde é possível estar totalmente
à vontade e confiante para desfrutar a saída, a imponderabilidade
e a aceleração do início do salto. Durante a queda,
a preocupação é com a posição da corda
abaixo do corpo e, no final da trajetória, o corpo deve estar ligeiramente
em pé e totalmente estável para distribuir uniformemente
o residual de impacto que a elasticidade da corda não absorveu (algo
em torno de 500 quilos). E então, e só curtir a beleza do
vazio entre as duas muralhas de granito com a ponte metálica sobre
a cabeça, o rio São Francisco ao seus pés e o pôr-do-sol
no fim do canion.
Onde eu quase morri?
Ao atravessar por baixo da
estrutura, enquanto levava a corda de um lado para o outro, encontrei velhos
amigos, muitos e muito bravos com a invasão de privacidade. Marimbondos.
Feios, grandes, irados e famintos, me fizeram abandonar a corda e correr,
arriscadamente, metal abaixo enquanto meus anjos e bruxos seguravam a onda.
Quatro espetadas destas bestas aladas podem transformar o mais hard dos
machos numa franga saltitante, acredite.
Resumindo, não rolou
a balada da noite, pois minha a mão tinha elefantíase e o
meu pé-abóbora-esquerdo doía a cada passo. Dormi sedado
graças a dois comprimidos gentilmente fornecidos pelo Sabiá
(que dormiria mais fácil sem minhas lamúrias).
Alguns riscos que eu chamo
de “inerentes ao local”, são difíceis de prever e podem comprometer
seriamente nossas atividades. Portanto, é imprescindível
o acúmulo e a transferência das nossas experiências.
É isso ai, bons ventos
e até a próxima balada, see ya!
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